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03/11/2018

Aprofundando a Palavra


 
Mensagem da Solenidade de Todos os Santos
 
    “Bem-aventurados os puros de coração, porque verão a Deus” (Mt 5,8)
 
Celebrar a solenidade de todos os santos é renovar nossa resposta ao chamado à santidade, que consiste em participar da vida de Deus, numa relação filial. Tal participação é possível, porque Deus teve a iniciativa de participar de nossa humanidade, ensinando-nos a viver como filhos amados e a conviver fraternalmente.
Eis a verdadeira santidade: ser filho de Deus à semelhança de Jesus. Esse é o grande presente de amor que o Pai nos deu (cf. 1Jo 3,1), mas essa filiação divina se torna autêntica à medida que nos identificamos com Jesus, o Filho amado. 
Pelo batismo, fomos selados pelo Espírito Santo como filhos amados e associados ao novo Israel, aos 144 mil (12 mil de cada uma das 12 tribos de Israel) número simbólico que indica a plenitude. Inseridos na vida de Cristo pelo Batismo, somos chamados à santidade, unindo-nos à multidão dos que contemplam o Cordeiro (cf. Ap 7,9).
       Deste modo, a Liturgia da Palavra nos mostra um caminho de santidade através das bem-aventuranças e nos suscita a esperança salvífica, de um dia poder contemplar a Deus. Os santos contemplam a face de Deus porque tiveram um coração puro, isto é, radicalmente decidido por Deus. 
       Em que consiste ter um coração puro? É importante salientar que o coração para o judeu não é o lugar dos sentimentos, mas sim das decisões. Neste sentido, ter um coração puro consiste em não viver na duplicidade de vida, mas na verdade e na autenticidade de uma vida decidida por Deus, na obediência a sua vontade. 
Portanto, nesta solenidade, a Igreja nos convida a viver a vocação universal à santidade. Como nos disse o Papa Francisco: “cada cristão, quanto mais se santifica, tanto mais fecundo se torna para o mundo. (...) A Santidade não te torna menos humano, porque é o encontro da tua fragilidade com a força da graça. No fundo, como dizia León Bloy, na vida ‘existe apenas uma tristeza: a de não ser santo’” (n. 33.34, Gautete et Exsultate).
 
Pe. Danival Milagres Coelho.